Minha
triste jornada na Cidade Poesia
Acordo
às 6 horas da manhã, tomo banho e café, me preparando para a viagem, que
ocorreria no final da tarde.
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| Bruno Ricardo Goes |
Às
17 horas, ansioso, espero o caminhão chegar, pois dentro dele estava ela, a
Rosana, minha égua. Com ela eu iria fazer uma jornada esperada havia meses. O
capataz que iria comigo, preparou o seu cavalo de 14 anos, só para me
acompanhar.
Às
18 horas, já estávamos a caminho da largada. Era uma tarde quase escura, a lua
com seu brilho sorria, as luzes da cidade começavam a ser acesas e as ruas
começando a ficar mais desertas. Bragança é muito calma nos finais de semana.
No
Bairro do Matadouro, perco o controle da égua, em sua corrida, na velocidade,
voava feito um passarinho no céu. Demos uma canseira no meu capataz, foi
engraçado, mas temeroso. Depois da confusão, o rumo segui.
Nas
extremidades da rua esburacada, ela sapateava. Com as luzes vermelhas, amarelas
e meio verdes que brilhavam nos carros, apavorada queria dar trancos e provocar
minha caída, porém fiquei firme na sela.
Quando
chegamos ao Lavapés, descemos descansar os cavalos, demos-lhes água para
saciar-lhes a sede na Pracinha da Bíblia, onde os moradores de rua com seus papelões
e jornais sobre os rostos dormiam.
Quando
o relógio aponta 11 horas da noite meu companheiro me diz:
—
Está muito cansado? — respondi com cara de desânimo:
—Não.
Eu ainda aguento mais horas acordado.
Em
seguida partimos outra vez. Às 2 horas da manhã, os carros com seus faróis
acesos vagavam na madrugada fria. Alguns poucos cidadãos pelas ruas andavam. Do
posto de gasolina, saía o último cliente e o frentista bocejava de sono. As
carretas faziam ruídos no silêncio, o farol piscava amarelo.
Quatro
horas depois, o dia renascia. Os raios de sol batiam nas janelas dos prédios e
casas, do chão saía fumaça, o cavalo para de andar, e sem cessar começavam os
movimentos na rua. No peito, o coração batia devagar. O ventos beijavam nossos
rostos nus.
Às
7 horas da manhã, chegamos ao nosso destino, por um caminho curto e curvo sem
passar pela rodovia.
Os
cavalos descansariam dois dias para voltarmos. Enfim gritei:
—
Nunca me cansei tanto desse jeito!
Detalhei
minha aventura, ninguém acreditou nas peripécias de um menino de 14 anos. De
repente fui surpreendido. Um assalto havia acontecido e levaram o meu bem mais
precioso.
Ela,
que tinha viajado, eu estava cansado, e meu coração despedaçado por sua falta,
sua falta tão doída. Fiquei desanimado, desolado, enlouquecido.
Desde
aquela jornada, em nenhum animal nunca mais senti prazer de montaria. Na Cidade
Poesia nunca mais vi alegria.
Passo
minha vidinha pensando na eguinha que agora está sozinha.
Bruno Ricardo Goes - E. E. Dr. Fernando Amos Siriani - 2014

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