Poemas

Alma não tem cor

Singra negreiro ao mar
Saudade, solidão.
Gosto amargo no olhar
Sinfonia da opressão.

Algemas, gargalheira,
Açoite, palmatória.
Libambo, focinheira,
Feridas na história.

Nas senzalas, clamores,
Lágrimas e gemidos.
Gestos entoavam dores,
À noite ecoavam gritos.

Da semente plantada,
Coragem e bravura
Novas leis anunciadas,
Lôbrega escravatura.

A esperança germina,
Esparge liberdade,
Pulsos livres da sina
Cantavam dignidade.

Após a “libertação”
Dores na sociedade.
A discriminação,
Triste desigualdade.

Segue em frente lutando
Com força e persistência
Na vida vai provando,
Sua enorme competência!

Influências propagam,
Emanam alegria.
Matizes que embriagam
De doce poesia.

Nas veias de Bragança,
Sangue negro na fé
Nas crenças, canto e dança
Nos sabores do axé.




13 de maio... Ação!
A arte de um ideal,
80 anos – tradição.
Herança cultural!

Símbolo de combate
À discriminação.
Valores e resgate
Da africanização.

Assim sempre buscando
Paz, amor, igualdade.
Segue se eternizando
Nos versos da cidade.

Chega de preconceito!
Nossa alma não tem cor!
Trilhemos com respeito
O caminho do amor!


Gabriel Fernandes Moraes Almeida


2° lugar no XXI Concurso Estudantil
da Ases - Associação dos Escritores de Bragança Paulista, na categoria 1° Ano do Ensino Médio, representando a E. E. Dr. Fernando Amos Siriani

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