sábado, 12 de março de 2016

Minha doce infância

Minha infância não foi uma das melhores possíveis. Morávamos na Rua Projetada C, no Jardim Paturi. Eu e meus irmãos morávamos com minha vó, seus filhos e marido. A ela chamávamos de mãe e ela fazia o possível e o impossível para nos dar o que precisávamos e nos agradar.

Meu vô vendia picolé sob o sol quente das ruas bragantinas, o dinheiro era pouco, mas era o sustento da casa, nós éramos crianças e não podíamos ajudar com as despesas. Minha vó também não podia trabalhar por ter alguns problemas de saúde.
Morávamos numa casa pequena, porém muito confortável, com um fogão à lenha, onde vivia minha vó preparando os mais deliciosos doces caseiros.
Havia um terreno ao lado da minha casa, onde adorávamos brincar de cavalinho, de casinha, com bonecas de pano feitas pela vovó, de esconde-esconde e também de andar a cavalo.
Ao anoitecer a gente corria para casa de medo por não ter luz e porque algumas pessoas haviam nos contado algumas lendas sobre o bairro. Já dentro de casa, pegávamos o lampião e íamos deitar.
Naquela época, começaram a construir uma escola a vinte minutos da minha casa, com o nome de E. E. Dr. Sebastião Ferraz de Campos, no Bairro do Toró. Ficamos muito alegres em poder estudar lá, tão pertinho da nossa casa. Eu e meus irmãos acordávamos cedo para ir à escola, íamos brincando pela estrada de pedras e, com uma vareta, andávamos riscando o caminho até a escola.
Quando chovia a gente fazia a festa, corríamos nas ruas de barro, pulávamos na terra vermelha, fazíamos até castelinhos nos bancos de areia que se formavam com a enxurrada. No entanto, quando entrávamos... Minha vó nos batia de chinelo, mas a gente apanhava feliz por ter brincado o dia inteiro, eu adorava o cheirinho da terra molhada.
Porém, agora, tudo isso está em minha memória, só existe em meus pensamentos. Sinto muitas saudades daqueles tempos, das nossas travessuras, brincadeiras que hoje as crianças pensam que é brincadeira para pobres e sem falar dos doces da vovó, sinto muita falta dela. Pena que tudo ficou no passado.
Hoje, estou casada, tenho três filhos lindos e sou muito feliz. As brincadeiras que eu brincava, agora ensino a eles, para que possam brincar também como eu fazia. Hum, só de lembrar ainda sinto o cheirinho da terra molhada em meu nariz.
Conto para eles a minha história com muita satisfação e prazer de dizer que fui muito feliz. Não tive tudo o que queria, mas tive tudo o que precisei, muito carinho e amor.


Texto baseado nas memórias de minha mãe

Brenda Gabriela Alves, 3ª colocada na Olimpíada de Língua Portuguesa 2012 – Categoria Memórias

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