Estava no meio do céu o sol. Era um dia muito calmo e
quieto quando avistei um homem descendo o morro da Rua Nove e com o sorriso nas
orelhas, chegou à minha calçada, parou e disse:
— Oi, mocinho, como vai?
— Oi, vou bem, e você?
— Estou levando... Quantos anos você tem?
Meu prezado leitor, ele queria puxar assunto muito
rápido. Saquei logo que era político. Eu tenho 15 anos, mas, querendo brincar,
falei que tinha 16, e o cara foi logo me turbinando:
— 16?!
— É 16, e tenho o meu título de eleitor.
— Rapaz, pelo seu argumento já percebeu que eu sou
político. Posso fazer uma pesquisa rápida, por favor?
— Sim, claro.
— Você já tem em mente um voto para prefeito?
— Não.
— Posso tomar um pouquinho mais do seu tempo para
falar e argumentar sobre o que estamos precisando em Bragança?
— Por favor.
— Se eu for eleito vou brigar pelos direitos da
sociedade bragantina, com muita garra e esforço. Vou construir... Vou fazer...
Vou aumentar... Vou diminuir... Eu sei do que Bragança Paulista precisa, precisa
de etc., etc., etc.
Meus queridos leitores, se eu for colocar no papel
tudo o que ele falou, vou ter que desmatar a Amazônia. Ainda bem que nem todos
os políticos são iguais ao que eu tive o desprazer de conhecer na minha rua.
Sorte é a dos escritores, porque existem as
reticências e etc, senão precisariam usar infinitas gradações.
Não tinha como não compartilhar esse fato com vocês,
não é, tem coisas que a gente não suporta sozinho.
Estou ficando por aqui. Isso aconteceu na minha
querida Bragança Paulista, interior de São Paulo, no Jardim da Fraternidade, mas
aposto que se repete em muitas outras cidades por aí.
Agora, leitores, esperem aí, lá vem ele de novo, vai
querer falar mais um pouquinho...
Daniel
da Silva Pinto, 1º colocado na Olimpíada de Língua Portuguesa 2012 - Categoria
Crônica
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