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sábado, 12 de março de 2016

A poesia olvidando o Belo

Situada entre sete colinas, assim como Roma, Bragança Paulista, a “Cidade Poesia”, localiza-se a cerca de 75 km da capital, no interior do estado de São Paulo. Teve sua ascensão no final do século XIX, sendo reconhecida como Sede Regional do Governo Paulista, atraindo a atenção de poderosos cafeeiros da época com a construção do terceiro teatro de ópera do Brasil e o mais antigo e pioneiro paulista: o Teatro Carlos Gomes.
Os autores da majestosa construção neoclassicista iniciada em 1892, Fellipe Siqueira e Izidro Teixeira, tiveram a ideia financiada pela riqueza dos fazendeiros e sem nenhum registro de quem seria o arquiteto. Sua inauguração, em 1894, foi um dos acontecimentos mais importantes da cidade, sendo palco de importantes companhias teatrais, batizado com apresentações das óperas Guarany e Bohème.
No início dos anos 20, pela primeira vez, fechava suas portas e cessavam os aplausos, Com isso, comportou várias atividades, como chás da tarde da alta sociedade bragantina, estande de tiro ao alvo, pista de patinação, lavanderia e até fábrica de jacás.
Em 1927, foi negociado entre a Câmara e a Diocese, a fim da instalação do Colégio São Luiz, sofrendo uma mudança em sua arquitetura, tornando-se referência em todo o Estado como exemplo de boa educação, levando consigo o nome da cidade e a presenteando com a sede diocesana. Mas, em 1970, seria desativado novamente.
Alugado em 1980, abrigou a Fundação Municipal de Ensino Superior e o Colégio João Carrozzo, porém, devido à alta do aluguel, foi devolvido em 2000.
Após esses acontecimentos, o prédio foi tombado como Patrimônio Histórico Municipal no final de 2000, e comprado pela prefeitura, em 2005, utilizado apenas como depósito de enfeites natalinos. Após todas as ações, foi abandonado completamente.
Sob o título de “O Belo Parado”, a reportagem do Estadão, edição de 3 de abril de 2011, revelou todos os projetos de reforma e restauro da prefeitura em relação ao prédio, orçados em R$ 8,5 milhões.
Sua suntuosidade, segundo a proposta de reforma e restauração aprovada pelo prefeito João Afonso Sólis, abrigaria um Centro Cultural, com oficinas, escolas de música e dança, biblioteca, um pequeno museu e teatro para 300 pessoas.
Gerando uma enorme polêmica, a decisão foi impugnada pelo Ministério Público a partir de uma representação do então vereador Moufid Doher contra a contratação da empresa FUPAM (Fundação para Pesquisa em Arquitetura e Ambiente) para execução do projeto arquitetônico sem licitação e pela terceirização de parte dos serviços. O episódio causou alvoroço entre os vereadores.
O caso tomou tamanha repercussão que, com inúmeras ações movidas pelo MOB (Movimento Outra Bragança) a respeito do descaso com o Belo, tornou-se nacionalmente conhecido pelo quadro “Proteste já!” do programa CQC (Custe o que Custar) da TV Bandeirantes, no qual seus integrantes buscam uma atitude do Executivo quanto à assinatura para a liberação da obra. Com o aparente fracasso da reportagem, devido o prefeito não cumprir com a promessa de liberar a obra em poucos dias, em 1º de agosto de 2012, foi ao ar, pelo mesmo quadro, o simbólico enterro cultural do prédio.
Frente à situação, a população se dividiu. Há pessoas que alegam que a reforma é desperdício de verbas, visto que o povo não se importa com a cultura e que o certo seria derrubá-lo e construir um edifício moderno. Outros afirmam que a recuperação do teatro seria uma forma de homenagear a história bragantina, uma vez que o majestoso levou Bragança a ser uma das cidades mais importantes do Estado, além de ser um imóvel monumental, que faz jus ao nome “Belo”.
Diante de todas as glórias e fracassos, penso que, deixar se acabar um complexo arquitetônico tão importante seria contribuir para que a essência bragantina se perdesse e fosse destruída, esquecida em ruínas, depois de tanto honrar, com esplendor e imponência, o nome da cidade.
Permitir, portanto, a destruição do prédio, é desdenhar as lutas e vitórias do povo, que, assim como a história desse teatro, traduz a fala de Confúcio, pensador e filósofo chinês, dizendo que a nossa maior alegria não está no fato de nunca cairmos, mas, sim, em levantarmos após cada queda.
Fernanda Augusta da Silva Gazzaneo, 1ª colocada na Olimpíada de Língua Portuguesa 2012 – Categoria Artigo de Opinião


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Artigo de Opinião

OGM: A NOVA ERA
Recentemente uma celeuma mundial que vem dividindo muitas opiniões são os OGMs - Organismos Geneticamente Modificados. Afinal eles são heróis ou vilões?

Mikaela Ketelin Silva Carvalho
Algumas pessoas, como por exemplo, o doutor em Física Teórica da Universidade de Nova York, Michio Kaku, são totalmente a favor dos transgênicos. Ele afirma em sua tese "Eles livrarão bilhões de pessoas do sofrimento, da fome e da doença".

Entretanto, uma boa parte sociedade mundial ainda fica com o pé atrás e acredita que existem outros meios mais confiáveis que os OGM, como por exemplo, gente igual a Doug Parr do Greenpeace, que acredita que nada nunca deveria ter saído do plano da natureza e afirma que "há outras alternativas naturais viáveis".

Do meu ponto de vista, os OGMs são a nova salvação para o mundo atual e, certamente, para o mundo futuro, muitas pessoas sem recursos e sem meios viáveis de uma alimentação adequada serão alcançadas com esses alimentos revigorados, sem falar das mutações em vírus, como já estão acontecendo com o mosquito da dengue, que já provocou a morte de milhares de pessoas e, com toda certeza, se não for criado um método preventivo,  muitas outras serão afetadas. Seguramente, os motivos prós apagam e excluem os contras. Os cientistas buscam cada dia mais melhorar e evitar danos futuros nos OGMs. Sim, eles são os novos heróis do século XXI.

A solução mais sustentável seria que os cientistas intensificassem todos os testes possíveis antes de aplicar esse método, assim todos aceitariam e acabariam com esse preconceito sobre os transgênicos.
As pessoas que são contra esse novo método, com toda certeza, não imaginam quantas vidas seriam salvas ou então como a qualidade de vida em alguns países seria transformada, não compreendem a intensidade de um problema como a fome, ou até mesmo o Aedes Aegypti que assola a vida de milhares de pessoas. O OGM é a solução que sempre procuramos incessantemente para a luta contra a fome, essa com certeza é a maior descoberta do século, as pessoas que são contra não entendem a imensidão dessa descoberta para os países menos desenvolvidos economicamente.

Para reforçar minha tese, sou totalmente a favor dos transgênicos, sem sombra de dúvidas eles acabariam com muitos problemas mundiais, obviamente outros testes ainda terão que ser feitos, porém já estamos encaminhados para essa nova era mundial.

Mikaela Katelin Silva Carvalho - 2015

Artigo de Opinião

Explorados até a última gota!

Colonizado pelos portugueses em 1530, o Brasil possuía e ainda possui várias fontes de exploração, tais como o pau-brasil – a árvore da qual se extraía valioso corante vermelho, e hoje devido a tal abuso se tornou rara no país -, o algodão, açúcar, ouro, diamantes entre outros.
Assim como a Nação Verde e Amarela, Bragança Paulista, uma cidade situada no interior do estado de São Paulo, fundada em 15 de dezembro de 1763, conhecida por ser a Terra da Linguiça e a Cidade Poesia, localiza-se numa região geográfica produtora de águas, e por isso vêm sofrendo constante exploração dessa sua riqueza.
Patrícia Faria
Parecida com o Brasil colonial, minha cidade e todos os municípios que formam a Bacia PCJ (bacia hidrográfica que compreende os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), podem ser afetados pela exploração de suas águas, que são levadas para abastecer a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) desde a década de 60.
O Sistema Cantareira, um conjunto de represas formado pelos reservatórios Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, inaugurado em 1974, e que hoje capta e trata cerca de 33 mil litros de água por segundo abastecendo 55% da RMSP, incluindo a capital, é formado por um processo de transposição de águas dos rios que formam a Bacia PCJ. De acordo com a Secretaria de Planejamento do Estado de São Paulo, foram implementados incentivos para encontrar novas fontes de abastecimento para a região, já que o Cantareira, mesmo sem a falta de chuvas histórica que o estado vem enfrentado, não conseguiria dar conta de suprir tantas necessidades hídricas com o desenvolvimento econômico e a densidade demográfica da região.
O grande problema é que com a ausência de chuvas o Cantareira já está agonizando.
Então me pergunto qual será o preço a se pagar por essa exploração?
Com a falta de água, o comércio, as indústrias e a população urbana entrariam em completa desordem, e teríamos de viver a base de caminhões pipas, dos quais a qualidade da água não é garantida. E por estarmos em pleno ano eleitoral, todos querem encobrir a situação.
Diante das consequências nefastas da crise que se alastra pelo estado, até agora, o que vimos são as autoridades preocupadas com a RMSP, isso é nítido em seus discursos, e procurando novos meios para abastecê-la, embora todos possam sofrer com a seca, ninguém se pronunciou sobre novos meios de abastecer os que moram no interior e foram explorados durante décadas. Estamos assistindo, de camarotes, a nossa riqueza se esvaindo e as autoridades insistindo em dizer que não faltará água na região.
Eu me pergunto como não faltará se a vazão do rio que nos abastece está diminuindo a cada dia, a represa que era abastecida por suas águas já está operando com o volume morto e a previsão meteorológica diz que choverá menos que a média histórica dos 30% que secou os reservatórios neste verão.
O que percebemos é que a população não está conscientizada sobre a gravidade da situação pela falta de divulgação, já que, ao que tudo indica, todos tentam acobertar o infortúnio por estarmos em um ano eleitoral, sem pensar que o montante de água que desperdiçamos hoje, é a gota que fará falta na tormenta de amanhã.
No atual estado em que a situação se encontra, eu penso que, a divulgação do problema é importante para que a população se atente e diminua o consumo, pois sabemos que 97% da água do nosso planeta é salgada, e os outros 3% que sobram, pouco menos de 1% é água destinada ao uso humano. Pode-se dizer que a população era e é leiga, pois não sabia, e muitos ainda não sabem, da transposição de águas que ocorre na nossa região, ou seja, até então estamos usando esse líquido como se o tivéssemos em abundância, mesmo com a crise que se alastra anunciando um futuro amedrontador.
Notícias mais frequentes nos meios de comunicação, folhetos e campanhas contundentes já seriam úteis para deixar os moradores da Região Sudeste, como um todo, inteirados no assunto e com a atenção voltada ao que ainda é possível fazer: armazenar água da chuva, reutilizar água proveniente de máquinas de lavar roupas, cobrar a reutilização por parte das indústrias, enfim evitar o desperdício.
Portanto, se o Cantareira se recuperar, existirá a necessidade de mudança no seu sistema operacional, que devido à exploração sem limites, sem planejamento e sem investimentos que já se faziam necessários há muitos anos, corre o risco de esvair-se, e com isso todos nós que residimos no mais populoso estado do país, responsável por 12% do PIB da nação, podemos sofrer prejuízos inestimáveis e eu diria até inimagináveis.

O que vemos é que assim como em 1530, nossas riquezas continuam a ser exploradas sem organização, sem limites, sem sustentabilidade, só que dessa vez, pelos seus próprios habitantes, que, em sua maioria, nem têm consciência de tamanha atrocidade, uma vez que são conduzidos de olhos fechados por suas autoridades que não parecem preocupadas em fazer deste um país sustentável.


Patrícia Faria,  na época estudante da Escola Estadual Dr. Fernando Amos Siriani, vencedora da III Olimpíada de Língua Portuguesa,  na cidade de Bragança Paulista